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JP 08.10.2000
Trabalhadores escravizados no Maranhão -PARTE
1
Na terra do Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, Siderúrgicas
exploram mão-de-obra semi-escrava; carvoarias arrasam o cerrado
com tratores e correntões.
Por 11 longos anos D. Zuleide Coutinho Moreira, 49 anos, mãe
de oito filhos, foi uma escrava. Juntamente com o esposo, João
Batista Moreira, 64 anos, e os 8 filhos, trabalhou na produção
de carvão vegetal destinado às guseiras instaladas em
Açailândia, sem direito a salários, férias
ou qualquer outro beneficio trabalhista.
'Trabalhei dia e noite, enchendo os fornos de lenha, retirando
o carvão em brasa e em troca recebi apenas a comida", conta
D. Zuleide, que após passar por vários municípios
maranhenses, sempre morando e trabalhando nas carvoanas, atualmente
reside em uma palafita alugada na periferia do município de Grajaú
(distante 600 km de São Luís, Capital do Maranhão').
Dos oito filhos, dois nasceram nas carvoarias. "Eu trabalhava grávida,
produzindo carvão, e só parava horas antes do parto",
conta D. Zuleide. Em uma terceira gravidez, trabalhou até o sétimo
mês, quandopassou mal, foi levada às pressas para um hospital
e soube que o feto estava morto há dias. Seu João, esposo
de D. Zuleide, após esvaziar um forno quente, sofreu um derrame,
causado por choque de temperatura, perdeu a visão de um olho
e está com um lado do corpo dormente, mas continua trabalhando
na produção de carvão....".
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